Explicando a Disparidade Entre Produtividade e Remuneração (1979-2026)
Desde 1979, o aumento da produtividade das empresas não resultou em aumento dos salários dos funcionários. Essa ocorrência também é conhecida como disparidade produtividade-salário.
Este artigo o ajudará a desmascarar vários mitos e a compreender as principais questões relacionadas à isso. Então, vamos direto ao assunto.
O que é a disparidade entre produtividade e remuneração?
A disparidade entre produtividade e remuneração é a diferença entre a produtividade da mão de obra e os salários dos funcionários. Em outras palavras, é o quanto os trabalhadores produzem por hora trabalhada em comparação com o quanto eles realmente ganham por essas horas. Idealmente, quando a produtividade aumenta, os salários devem crescer simultaneamente.
O que é produtividade?
Antes de discutirmos a relação entre produtividade e salários medianos em mais detalhes, precisamos definir produtividade. Existem diversas variações da definição, dependendo do setor — mas atualmente estamos interessados na definição econômica, que é a seguinte:
A produtividade é calculada como uma proporção do produto interno bruto por hora trabalhada e é uma medida da produção por unidade de insumo.
Simplificando, a produtividade demonstra a eficiência com que alguém conclui uma determinada tarefa.
Para que um trabalhador seja produtivo, ele precisa ser motivado por fatores internos ou externos:
- Fatores internos implicam que uma pessoa é motivada a realizar uma atividade por si só, porque é agradável e prazerosa para ela. Portanto, o comportamento em si é a recompensa.
- Fatores externos incluem incentivos financeiros, reconhecimento público ou status, por exemplo.
Como a produtividade afeta os salários?
Quando a produtividade aumenta, os lucros da empresa também aumentam — e todas as partes interessadas deveriam se beneficiar disso.
Trabalhadores produtivos têm maior capacidade de foco e sabem quando é a hora de fazer uma pausa. Em outras palavras, suas habilidades de gestão de tempo são melhores, resultando em um equilíbrio mais adequado entre vida pessoal e profissional.
No ambiente de trabalho, quanto maior for a iniciativa em nível empresarial e quanto maiores forem as recompensas, maior será a probabilidade dos funcionários se engajarem e se motivarem a encontrar outras maneiras de aprimorar suas habilidades.
Isso é o que deveria acontecer na prática, mas nem sempre é o caso. A disparidade entre produtividade e remuneração mostra que há situações em que alta produtividade não resulta necessariamente em salários mais altos.
Vejamos como a relação entre produtividade e salários mudou ao longo do tempo.
História da disparidade entre a produtividade e a remuneração na economia dos EUA
Ao observarmos a história da economia dos EUA, a disparidade entre produtividade e remuneração não era tão acentuada quanto é hoje. De acordo com um estudo do Economic Policy Institute (EPI), entre o final da década de 1940 e a década de 1960, a produtividade e a remuneração cresceram quase na mesma direção — os trabalhadores recebiam salários mais altos quando sua produtividade aumentava.
No entanto, essa diferença mudou bastante no final da década de 1970 (por vários motivos, que discutiremos mais adiante). Isso significa que, desde então, os salários dos funcionários não acompanharam o aumento de sua produtividade.
De acordo com os dados mais recentes do EPI, a produtividade cresceu 2,7 vezes mais do que o salário médio do trabalhador desde 1979. Mais especificamente, de 1979 a 2025, a produtividade aumentou aproximadamente 90,2% (cerca de 1,4% ao ano, em média), enquanto a remuneração por hora cresceu apenas cerca de 33% (cerca de 0,6% ao ano, em média).
| Ano | Taxa de crescimento da produtividade | Crescimento da remuneração horária |
| 1950–1959 | 32,7% | 28,2% |
| 1960–1969 | 28,1% | 22,8% |
| 1970–1979 | 14% | 8,1% |
| 1980–1989 | 11,5% | -0,6% |
| 1990–1999 | 14,4% | 6% |
| 2000–2009 | 23,4% | 12,8% |
| 2010–2019 | 10,5% | 7,1% |
| 2020–2025 | 10,5% | 5,2% |
| Crescimento total: 1950–2025 | 278,6% | 126,8% |
Apesar do aumento da produtividade, os trabalhadores não parecem receber a justa parcela dos benefícios que lhes são devidos em troca de suas contribuições. Desde 1979, a produtividade cresceu substancialmente, mas a remuneração dos trabalhadores permaneceu relativamente estagnada. O gráfico abaixo, que compara a produtividade com os salários, ilustra claramente a crescente divergência entre esses dois indicadores.
Seria fácil tirar conclusões precipitadas e culpar tudo por um sistema econômico falho, onde os mais ricos ficam cada vez mais ricos — mas lembre-se, essa é apenas parte da explicação.
Razões para a disparidade entre salários e produtividade
Não há uma resposta definitiva para a razão pela qual a disparidade entre salários e produtividade ocorre, especialmente se quisermos falar da sociedade como um todo. Portanto, aqui estão algumas das razões.
#1: Diversidade de setores
A desconexão entre o crescimento da produtividade dos funcionários e o crescimento dos salários pode diferir entre os setores.
O setor da saúde lidera o ranking dos maiores salários em 2026, com funções especializadas atingindo seis dígitos. De acordo com os dados do Indeed Best Jobs, a área médica responde por 72% do crescimento atual de empregos, apesar de representar apenas 11% do emprego total.
Os setores de tecnologia e finanças continuam lucrativos, apesar das recentes correções de mercado, com vagas disponíveis consistentemente acima de US$100.000 por ano. Curiosamente, funções de transporte especializado e comércio também estão entrando na faixa dos altos salários.
Os setores de agricultura, transporte em geral e serviços permanecem entre os de baixa remuneração, de acordo com o Relatório Semanal de Salários (Weekly Earnings Report) do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS).
#2: Avanço tecnológico
A diferença entre produtividade e remuneração está mudando à medida que as empresas lidam com a IA e a automação.
De acordo com o Relatório sobre o Futuro do Trabalho 2025 do Fórum Econômico Mundial, 52% dos empregadores planejam destinar mais receita aos salários até 2030, com estratégias focadas em equiparar a remuneração à produtividade e ao desempenho reais.
Mas há um porém: metade de todos os empregadores planeja reestruturar seus negócios em torno da IA, e 40% esperam reduções na força de trabalho onde a automação assumirá o controle. O relatório constata que dois terços estão buscando ativamente talentos com habilidades específicas em IA, enquanto 85% priorizam o aprimoramento das habilidades dos funcionários atuais.
Dito isso, a tecnologia não está eliminando a diferença salarial universalmente. Em vez disso, está criando uma divisão na qual os trabalhadores que se adaptam e desenvolvem habilidades relacionadas à IA veem sua remuneração aumentar, enquanto aqueles em funções facilmente automatizadas enfrentam a substituição.
#3: Globalização do emprego
A globalização não está nivelando o campo de atuação, mas sim ampliando a desigualdade, de acordo com o relatório Tendências Sociais e de Emprego 2026 (Employment and Social Trends 2026) da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Países mais ricos estão vivenciando mercados de trabalho estáveis graças ao envelhecimento da população, enquanto nações mais pobres experimentam um rápido crescimento da força de trabalho devido à globalização do emprego, com a expectativa de um aumento de 3,1% no emprego em 2026.
No entanto, a maioria desses novos empregos não paga bem e oferece pouca segurança. Os trabalhadores em países de baixa renda não estão se tornando mais produtivos, o que significa que seus salários permanecem estagnados. Pior ainda, a transição de trabalhos informais para empregos estáveis e mais bem remunerados estagnou nos últimos 20 anos. Assim, países com uma população jovem e crescente não conseguem transformar essa vantagem em empregos mais bem pagos.
Conforme as previsões da OIT, o crescimento da produtividade em 2026 será desigual em todo o mundo, o que significa que a disparidade salarial será ainda mais acentuada por fatores geográficos. Os países ricos continuam a capturar os ganhos de produtividade, enquanto as economias em desenvolvimento criam empregos sem melhorar os salários ou a qualidade de vida.
🎓 Como calcular o custo da mão de obra + Calculadora de custo da mão de obra
#4: Declínio do sindicalismo
Trabalhadores sindicalizados nos EUA costumavam receber salários mais altos à medida que a economia prosperava. Agora que os sindicatos estão perdendo força — a participação dos sindicatos no setor privado caiu de 35% na década de 1960 para apenas 5,9% em 2025 —, também vemos um declínio significativo em suas remunerações.
Da mesma forma, uma pesquisa do Union Membership and Coverage Database mostra que o número de trabalhadores cobertos por um acordo de negociação coletiva caiu de 25,7% em 1980 para 11,2% em 2025. Em outras palavras, trabalhadores cujos direitos (incluindo salários) antes eram protegidos por sindicatos agora têm salários medianos reduzidos, apesar dos aumentos de produtividade.
#5: A Uberização (Gig economy)
De acordo com uma análise da ADP com mais de 24 milhões de trabalhadores, os contratados independentes ganham uma mediana de 25 dólares por hora, enquanto os trabalhadores temporários recebem apenas 15 dólares, em comparação com a mediana de 23 dólares para todos os trabalhadores dos EUA. Essa diferença aumenta ainda mais quando se observam as médias — contratados chegam a quase 39 dólares por hora, contra 19 dólares para temporários.
Mas o salário por si só não conta toda a história. Os trabalhadores da gig economy trabalham aproximadamente metade das horas de funcionários tradicionais (cerca de 85-88 horas por mês contra 155), o que reduz seus ganhos mensais totais, apesar das taxas horárias competitivas.
O trabalho na economia gig está crescendo rapidamente, especialmente para contratados (aumento de 50% desde 2019), mas os benefícios não estão sendo distribuídos igualmente, conclui a ADP. Especialistas qualificados estão prosperando, enquanto trabalhadores temporários com salários mais baixos, que representam a maior parte da força de trabalho gig, viram sua participação no mercado diminuir desde 2023.
🎓 Uberização: Tudo o que você precisa saber sobre esse mercado de trabalho
#6: Falta de leis trabalhistas adequadas
Outro fator significativo que contribui para a disparidade entre produtividade e remuneração é a completa ausência de políticas trabalhistas ou o fato de as políticas existentes raramente serem atualizadas. Muitas delas não acompanham a inflação ou quaisquer outras condições econômicas de um estado.
Curiosamente, 19 estados terão um aumento do salário mínimo em 2026, a saber:
| Total: 19 estados | Maine | Nebraska | Ohio |
| Arizona | Michigan | Nova Jersey | Rhode Island |
| California | Minnesota | Nova York | Vermont |
| Colorado | Missouri | Havaí | Virginia |
| Connecticut | Montana | Dakota do Sul | Washington |
Como resultado, em 2026 mais trabalhadores viverão e trabalharão em estados com salário mínimo de 15 dólares do que em estados que seguem o mínimo federal de 7,25 dólares. Mas, ao comparar os dois grupos, o primeiro supera o segundo em apenas cerca de 10%.
No entanto, as leis de salário mínimo em certos estados permanecem inalteradas por décadas. Por exemplo, o salário mínimo estadual da Geórgia é de 5,15 dólares (o mais baixo dos EUA) e não mudou desde 2002. O salário mínimo federal é de $7,25 dólares.
Muita coisa aconteceu nos últimos 24 anos, como crises financeiras, inflação e avanços tecnológicos. Ainda assim, as diferenças nos salário mínimos são mais um exemplo de por que a disparidade entre produtividade e remuneração persiste, mesmo com o aumento da produção dos funcionários.
Mas agora vamos entrar nos detalhes, começando pelos acontecimentos recentes.
🎓 Guias de Leis Trabalhistas Estaduais (EUA)
A disparidade entre produtividade e remunerações (2019–2024): uma correção frágil
Pela primeira vez em décadas, a diferença entre produtividade e salários está diminuindo na base da pirâmide, mas uma análise mais ampla revela o quão profundo o problema realmente é.
Entre 2019 e 2024, os trabalhadores com salários mais baixos viram seus salários reais crescerem 15,3%, o que é 7 vezes mais rápido do que qualquer recuperação comparável desde 1979. Os trabalhadores de renda média tiveram um crescimento de 5,8%, e a diferença entre quem ganha mais e quem ganha menos diminuiu pela primeira vez em mais de 40 anos.
Mas, olhando o quadro geral, os ganhos parecem muito menores.
Desde 1979, os salários medianos cresceram apenas 29%, ou seja, apenas um terço do ritmo do crescimento da produtividade da economia.
Os dados deixam uma coisa dolorosamente clara: o crescimento salarial não aconteceu por si só. Durante períodos de mercado de trabalho aquecido nos EUA (1996–2002 e 2014–2024, quando havia mais vagas de emprego do que trabalhadores disponíveis), os salários medianos acompanharam a produtividade e cresceram 1,7% ao ano. Em todos os outros anos, o crescimento foi nulo.
Os trabalhadores de baixa renda apresentaram um cenário ainda mais alarmante: seus salários, na verdade, caíram 0,6% ao ano fora desses períodos de mercado de trabalho aquecido.
Os ganhos recentes são reais, mas frágeis. Foram construídos sobre decisões de políticas públicas da era da pandemia, aumentos do salário mínimo em alguns estados e um mercado de trabalho que finalmente deu mais poder de negociação aos trabalhadores.
Agora, vamos ver o que tem agitado recentemente a economia dos EUA.
Previsões sobre a lacuna entre produtividade e salários: uma transformação com IA
De acordo com um artigo do Daily Caller sobre o boom da IA que está transformando a economia dos EUA, a inteligência artificial não está apenas mudando como trabalhamos; também está redefinindo quem recebe e quanto recebe. Empresas de tecnologia em grande escala (as maiores do setor) devem investir mais de 500 bilhões de dólares apenas em 2026 principalmente em infraestrutura de IA, e os efeitos já estão impactando fortemente o mercado de trabalho.
Em 2025, estima-se que a IA tenha sido responsável por 54.836 cortes de empregos nos EUA, com 71.825 demissões desde 2023.
Cargos de nível inicial estão desaparecendo rapidamente. A ex-diretora de informação da Casa Branca e especialista em políticas tecnológicas Theresa Payton alerta que isso pode ser mais prejudicial do que parece. Segundo ela: “à medida que a IA silenciosamente corrói as oportunidades de nível inicial em áreas antes ricas em aprendizado por tentativa e erro, corremos o risco de eliminar as próprias vias de acesso que produziram visionários como Steve Jobs.”
Mas nem tudo são más notícias — a IA também gerou cerca de 8.900 novos empregos em 2024, com o crescimento do PIB dos EUA projetado pelo FMI em 2,4% para 2026, impulsionado em parte pelos ganhos de eficiência da IA.
No entanto, a verdadeira questão é que a IA já pode substituir 11,7% do mercado de trabalho dos EUA, mas apenas 46% dos trabalhadores a utilizam regularmente, de acordo com uma pesquisa da Gallup.
Daniel Cochrane, pesquisador sênior do Heritage Foundation’s Center for Technology and the Human Person, afirma que os empregos mais ameaçados são aqueles que são “rotineiros ou puramente quantitativos”, pois enfrentarão uma “disrupção significativa por parte da IA” nos próximos anos.
Previsões para a economia dos EUA
Como revela a mais recente previsão econômica da Deloitte o investimento em IA é o principal motivo pelo qual a economia dos EUA parece saudável no momento. As empresas investiram em data centers, software e equipamentos em um ritmo que surpreendeu até mesmo os economistas.
O investimento empresarial real cresceu 7,3% no segundo trimestre de 2025, após uma estimativa inicial de apenas 1,9% (uma grande parte desse valor foi destinada a gastos relacionados à IA).
Somente os equipamentos de processamento de informações registraram um aumento de mais de 20% em relação ao ano anterior. Mas ninguém sabe por quanto tempo isso vai durar. A Deloitte apresenta três cenários para a economia até 2030:
- No melhor cenário, os gastos com IA continuam, as tarifas diminuem e o PIB permanece forte.
- No pior cenário, o investimento em IA atinge um limite em 2027 (semelhante ao que aconteceu após a bolha da internet) — os preços das ações caem 10%, o consumo despenca e o desemprego sobe para 5,5%.
- O cenário base fica em algum lugar entre esses dois extremos — o PIB cresce cerca de 1,9% em 2026, a inflação permanece acima da meta de 2% do Federal Reserve até 2028 e o consumo desacelera, pois o crescimento salarial não consegue acompanhar.
🎓 Devemos temer a IA ou abraçá-la?
Falando em salários, vamos discutir a crise do custo de vida a seguir.
A relação entre a crise do custo de vida e a disparidade entre produtividade e salário
De acordo com o relatório de realidade salarial de 2025 da Resume Now, quase três quartos dos trabalhadores americanos não conseguem arcar com nada além das despesas básicas de subsistência, e a pressão não se limita mais a empregos de baixa remuneração. Na verdade, quase 30% dos trabalhadores se mudaram para moradias mais baratas apenas para conseguir acompanhar o ritmo, enquanto 28% contraíram dívidas para cobrir os custos do dia a dia.
A causa principal remonta a 2001, quando a China ingressou na OMC e os fabricantes americanos terceirizaram suas operações domésticas para mão de obra estrangeira de menor custo. Estima-se que 3,4 milhões de empregos em fábricas desapareceram, e o salário médio, que antes mantinha os custos de serviços sob controle, desapareceu junto com eles.
É claro que os bens de consumo ficaram mais baratos — TVs, roupas, eletrônicos. Mas as coisas que você realmente precisa para viver continuaram ficando mais caras, e os salários pararam de acompanhar o ritmo. As pessoas estão vivendo de salário em salário apenas para cobrir as necessidades básicas, explica o artigo da CNN.
De acordo com o Federal Reserve, os lucros corporativos contam o outro lado da história: eles saltaram de menos de 6% do PIB em 2000 para 11% em 2024. Embora os salários médios tenham aumentado cerca de 13% no mesmo período, esse crescimento foi impulsionado principalmente pelos setores de tecnologia, negócios e finanças, enquanto os salários da indústria ficaram para trás.
Por que os serviços essenciais continuam encarecendo?
Na década de 1960, o economista William Baumol identificou o que hoje é chamado de “doença dos custos de Baumol” — a ideia de que serviços que exigem muita mão de obra, como saúde, educação e cuidados infantis, nunca poderão se tornar tão produtivos quanto a indústria.
Esse conceito parte do pressuposto de que ainda se leva aproximadamente a mesma quantidade de tempo para dar uma aula ou tratar um paciente do que há 60 anos. Mas as pessoas que realizam esse trabalho ainda precisam ser pagas de forma competitiva, o que significa que seus salários precisam acompanhar o que poderiam ganhar em áreas mais bem remuneradas, como tecnologia ou finanças.
A razão pela qual os custos dos serviços essenciais continuam a subir não se deve à redução da eficiência, mas porque a economia os força a isso. Nesse sentido, a própria doença dos custos de Baumol não é o problema — essa pressão de custos só se torna incômoda quando o crescimento salarial se concentra no topo da pirâmide de rendimentos.
Simplificando, quando os salários aumentam com a produtividade, as famílias conseguem absorver custos de serviços mais elevados. Quando isso não acontece, como agora, os serviços essenciais começam a excluir economicamente a classe média.
Em dezembro de 2025, o Índice de Preços ao Consumidor (Consumer Price Index - CPI) para todos os itens subiu 2,7%, com o índice de alimentos registrando um aumento de 3,1% no ano. Durante o mesmo período, o índice de serviços de saúde teve um salto de 3,5%.
Os americanos estão pagando preços definidos pelos setores mais ricos da economia, enquanto seus salários não refletem essa produtividade nem o poder de compra. Dito isso, vamos falar sobre a concentração de riqueza nos 10% mais ricos.
Concentração de riqueza: Os ricos continuam ficando mais ricos
Apesar de uma pandemia, picos de inflação e aumento das taxas de juros, os ricos ficaram muito mais ricos desde 2020.
De acordo com a mais recente análise do Visa Business and Economic Insights (VBEI), o limite de riqueza para alcançar os 10% mais ricos das famílias americanas saltou de 1,3 milhão de dólares em 2020 para 1,8 milhão de dólares em 2024 — um aumento de 40%. O limite de renda também subiu, passando de US$170.000 para US$210.000, um aumento de 23%.
Para contextualizar, a renda mediana nos EUA em 2024 era de apenas 83.730 dólares. Os ganhos vieram quase inteiramente da valorização imobiliária e das ações, e não dos salários.
Proprietários de imóveis e investidores se beneficiaram com a alta do mercado imobiliário a partir de 2020 e com a rápida recuperação dos principais índices de ações após a crise da pandemia, atingindo novos recordes. Os 10% mais ricos dos americanos detêm mais de 87% das ações corporativas e dos ativos de fundos mútuos, e o valor desses ativos explodiu.
Para fazer uma comparação ainda mais clara, vejamos o crescimento dos salários médios dos trabalhadores que mais ganham e dos que menos ganham, com base em uma análise do EPI sobre desigualdade salarial.
| Ano | Salário médio dos que mais ganham | Salário médio dos que menos ganham |
| 1979 | $281.932 | $29.953 |
| 2023 | $794.129 | $43.035 |
| Crescimento total 1979–2023 | 181,7% | 43,7% |
O crescimento não só foi desigual, como os indivíduos com maiores rendimentos ganhavam mais de 18 vezes o salário dos que menos ganhavam em 2023.
Enquanto isso, os salários cresceram, mas a cerca de metade do ritmo da riqueza. A análise da Visa afirma que cerca de 12,2 milhões de famílias americanas (de um total de 135 milhões em 2025, com uma média de 2,53 pessoas por família) agora se qualificam como "afluentes" — definidas como aquelas que ganham pelo menos US$ 210.000 ou possuem um patrimônio líquido de cerca de 1,8 milhão de dólares. Os limites regionais nos EUA variam de acordo com o custo de vida.
Por geração, isso se divide da seguinte forma:
- Geração X — 57%
- Geração Z e Millennials — 31%
- Boomers — 12%
Nesse sentido, a diferença entre produtividade e salário começou a se estender além da estagnação salarial, incluindo também a acumulação de riqueza. Mas a disparidade não para por aí, já que a participação da renda dos trabalhadores atingiu um novo mínimo histórico.
A participação do trabalho na renda atingiu o nível mais baixo já registrado
Embora a economia esteja gerando mais riqueza, uma parcela menor dela está sendo destinada a salários e benefícios dos funcionários, enquanto uma parcela maior está indo para os lucros corporativos e investidores.
Quando o Departamento de Estatísticas do Trabalho (Bureau of Labor Statistics) começou a coletar esses dados em 1947, os trabalhadores recebiam 70% da renda total do país. No terceiro trimestre de 2025, a participação da renda do trabalho havia caído para o nível mais baixo em 78 anos — 53,8%, de acordo com um artigo da Prospect sobre renda do trabalho.
Assim, nas últimas oito décadas, a participação dos trabalhadores na economia diminuiu cerca de 16%, enquanto a mesma quantia foi diretamente para os bolsos de investidores e empresários. A crescente tendência de precificação baseada em valor — cobrança com base no valor percebido em vez dos custos de produção — (especialmente no setor de SaaS) também contribui para isso.
E não nos esqueçamos do poder de monopsônio no mercado de trabalho — isso é o que abordaremos a seguir.
Por que as empresas conseguem pagar aos trabalhadores menos do que eles realmente valem?
Você já se perguntou por que tantas empresas parecem pagar menos aos seus trabalhadores do que deveriam? Os economistas chamam isso de poder de monopsônio, ou seja, a capacidade das empresas de definir salários abaixo do valor que os trabalhadores realmente produzem.
Um estudo recente do Federal Reserve Bank of Dallas oferece uma nova perspectiva: tudo se resume à informação (não apenas aos custos de procurar emprego ou às preferências de trabalho).
Os trabalhadores não sabem tudo sobre os empregos disponíveis, e as empresas não sabem tudo sobre os potenciais contratados. Assim, ambos os lados fazem suposições estratégicas sobre onde investir seus esforços. Isso cria fricções de informação que permitem que as empresas mantenham os salários baixos.
Mesmo fricções moderadas de informação podem produzir reduções salariais de 30-40% abaixo da contribuição real dos trabalhadores em termos de produção, de acordo com o estudo mencionado.
Além disso, embora combinar trabalhadores altamente qualificados com empresas de alta produtividade aumente a produção, isso também aumenta o poder de monopsônio, ao reduzir a competição por salários. Por exemplo, empresas de tecnologia do Vale do Silício têm acesso a um grupo concentrado de trabalhadores especializados com poucas opções fora desse mercado.
Salários mais competitivos surgem quando a correspondência entre empresas e trabalhadores é menos direcionada, ou seja, quando as empresas ampliam seu grupo de trabalhadores potenciais para incluir pessoas com diferentes níveis de habilidade e conhecimento. Isso nem sempre é o mais eficiente para a produção total, mas é mais justo na forma como a renda é distribuída.
Nesse sentido, o poder das empresas para definir salários não depende apenas da oferta e da demanda, mas também de:
- Competição
- Aperto do mercado de trabalho
- Gargalos no processo de seleção
- Padrões de classificação (sorting)
- Fatores relacionados
Agora, vamos discutir outra distinção importante na diferença entre produtividade e salários: o gênero.
A diferença salarial entre homens e mulheres piorou
Um relatório da ADP Research, People at Work 2025: A Global Workforce View constatou que 28% das mulheres acreditam que são pagas injustamente em comparação com 23% dos homens. Isso não é surpreendente, considerando que a diferença salarial de gênero aumentou drasticamente em 2024, atingindo seu pior nível em quase uma década, segundo uma análise do Institute for Women’s Policy Research.
Especificamente, mulheres que trabalharam em tempo integral durante todo o ano ganharam apenas 80,9 centavos para cada dólar ganho pelos homens — uma queda em relação a 82,7 centavos em 2023 e 84 centavos em 2022.
Essa é a maior queda em um único ano na proporção de ganhos desde 1966, enquanto, nos últimos dois anos, os ganhos dos homens subiram 3,7%.
Além disso, existem outros fatores discriminatórios que impactam a diferença salarial entre gêneros, como idade, raça e escolaridade.
A mesma análise mostra que mulheres latinas estão entre as trabalhadoras mais mal remuneradas, ganhando US$33.620 a menos do que homens caucasianos em 2024 (equivalente a 58 centavos por dólar). Mulheres de minorias raciais ganharam US$ 28.340 a menos — 64,6 centavos para cada dólar.
Também parece que o nível de escolaridade das mulheres já ultrapassou o dos homens nos EUA, embora a disparidade salarial continue persistindo. De fato, dados do Censo dos EUA de 2025 mostram que 40,1% das mulheres com 25 anos ou mais possuem diploma de bacharel ou superior, em comparação com 37,1% dos homens.
O relatório do BLS (Bureau of Labor Statistics) sobre rendimentos semanais constatou que, entre graduados universitários com diplomas avançados, os 10% de homens com maiores salários ganhavam US$ 4.949 ou mais por semana, enquanto as mulheres ganhavam US$ 3.510 ou mais.
Objetivamente, não há espaço para esse tipo de discriminação na era moderna, já que as mulheres são tão valiosas quanto os homens. Isso é especialmente verdadeiro para as mães que trabalham, cujas responsabilidades exigem fortes habilidades de gestão do tempo.
A verdade é clara: a diferença entre produtividade e salário existe, independentemente do nível de escolaridade das mulheres. Ainda assim, eliminar essa disparidade salarial poderia promover a equidade e aumentar a produtividade econômica.
Vamos agora analisar a diferença entre produtividade e salários em escala global.
A diferença entre produtividade e salário por país
Diferentes países focam em diferentes setores industriais, o que, como já mencionamos, pode ser outro motivo para essa diferença.
Além de outros fatores geopolíticos, a variação na média de horas trabalhadas por país também afeta a diferença entre salário e produtividade.
Por exemplo, os funcionários em tempo integral nos EUA ainda trabalham mais horas por ano do que os funcionários em tempo integral na Europa. Dito isso, a norma para a semana de trabalho nos EUA é de 40 horas, enquanto na França é de 35 horas.
Se não considerássemos outros fatores, a conclusão lógica seria que as pessoas na Europa são mais produtivas. Mas, é claro, não é tão simples assim.
Além de medir a produtividade individual e de equipes, também é possível medir a produtividade de um país. Se você está se perguntando como fazer isso, a resposta está em:
- Produto Interno Bruto (PIB) — o valor monetário de bens e serviços produzidos dentro de um país (a produção econômica total de uma nação), enquanto o PIB per capita divide esse total pela população
- PIB por hora trabalhada — mostra quanto dinheiro os trabalhadores (produtividade do trabalho) contribuem para a economia do país por hora
Os 10 países mais produtivos
A lista abaixo reflete o PIB por hora trabalhada (usado para nossa classificação) e o PIB per capita, juntamente com as horas de trabalho anuais, com base nas projeções do IMF e nos dados da OIT para 2025.
| Classificação | País | PIB por hora trabalhada (USD) | PIB per capita (USD) | Média de horas trabalhadas (por ano) |
| 1. | Irlanda | $164,7 | $147.878 | 1,851h |
| 2. | Luxemburgo | $159,5 | $152.395 | 1,851h |
| 3. | Noruega | $125,6 | $106.694 | 1,752h |
| 4. | Singapure | $100,4 | $156.969 | 2,215h |
| 5. | Guiana | $99,6 | $94.189 | 2,324h |
| 6. | Países Baixos | $92,3 | $84.035 | 1,643h |
| 7. | Dinamarca | $92,2 | $84.763 | 1,763h |
| 8. | Bélgica | $91,5 | $75.882 | 1,820h |
| 9. | Áustria | $86,7 | $74.852 | 1,732h |
| 10. | Suíça | $85,8 | $97.659 | 1,856h |
Aqui, podemos observar a diferença entre produtividade e remuneração além da perspectiva dos EUA. A produtividade nem sempre resulta em salários mais altos — mesmo os países com a maior produtividade por hora (Irlanda e Luxemburgo) não têm uma distribuição salarial igualitária.
Em termos de PIB, os Estados Unidos ocupam o 1º lugar no mundo com US$ 30,62 trilhões. No entanto, o PIB per capita nos EUA é de US$ 89.599, enquanto o PIB por hora trabalhada, considerando uma média anual de 1.976 horas de trabalho, é de US$ 81,8. Em outras palavras, a relação entre produtividade e distribuição de salários ainda é bastante desproporcional.
Concluímos que essa desproporção é um problema relativamente generalizado, mais acentuado em alguns países do que em outros. Fatores como leis trabalhistas, estruturas econômicas e setores econômicos dominantes e elementos semelhantes também desempenham um papel crucial na forma como o lucro é distribuído.
Implicações econômicas e políticas da lacuna entre produtividade e salários
Por último, queremos dedicar esta seção aos efeitos da diferença entre produtividade e salários na economia e nas políticas governamentais.
Implicações econômicas
O fenômeno da alta produtividade acompanhada de salários estagnados pode ter efeitos de longo alcance na economia. Aqui estão algumas das implicações:
- Baixos padrões de vida — quando os trabalhadores enfrentam estagnação salarial, seu poder de compra também diminui com o tempo. Eles não conseguem acompanhar o aumento dos preços, o que resulta em piores condições de vida.
- Crescimento econômico lento — se esses trabalhadores têm salários estagnados e seu poder de compra cai, essa tendência pode afetar toda a economia de um país. Como o consumo representa uma parte importante da economia dos EUA, os gastos dos consumidores com bens e serviços representaram 69% do crescimento do PIB no terceiro trimestre de 2025. Portanto, um baixo consumo também levaria a um declínio econômico.
- Desigualdade salarial — como mencionado acima, a diferença entre produtividade e salários também pode levar a disparidades salariais, beneficiando mais os trabalhadores com maior renda.
- Aumento dos gastos do orçamento do governo — quando os salários dos trabalhadores permanecem inalterados por um longo período, esses trabalhadores recorrem com mais frequência a programas sociais públicos, como assistência em dinheiro, seguro de saúde, subsídios habitacionais, etc. Como resultado, o orçamento do país diminui, levando também a maiores impostos e maior endividamento.
Implicações políticas
Além das implicações econômicas, a diferença entre produtividade e salários também pode afetar políticas e regulações governamentais. Aqui estão algumas delas:
- Salário mínimo — A diferença entre produtividade e salários também pode resultar de um salário mínimo estagnado em um país, que não é ajustado à inflação para garantir uma remuneração justa. Por exemplo, a remuneração federal mínima nos EUA é de US$7,25/h desde 2009. Embora alguns estados tenham adotado o mínimo federal como seu salário mínimo estadual, outros estados o ajustam periodicamente, como é o caso do salário mínimo na Califórnia (de US$16/hora em 2024 para US$16,90/hora em 2026).
- Impostos progressivos — quando a renda de um trabalhador aumenta, suas alíquotas de imposto também aumentam. Ao mesmo tempo, se um funcionário ganha menos, suas alíquotas de imposto de renda são menores. Assim, impostos progressivos podem ajudar a reduzir a diferença entre produtividade e salários. Como os que ganham mais pagam mais impostos, essa renda pode ser usada para financiar serviços e programas públicos, beneficiando também a força de trabalho em geral.
- Exploração de trabalhadores de baixa renda — trabalhadores em setores de serviços ou manufatura frequentemente não se beneficiam do crescimento da produtividade; em vez disso, trabalham mais, prejudicam seu equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e continuam recebendo o mesmo salário.
- Sindicatos — práticas anti-sindicais e a falta de direitos sindicais também impactam a enorme disparidade entre produtividade e salários. Já discutimos como essa tendência reduz o salário por hora de um trabalhador típico nos EUA, mas países como Bélgica e Áustria apresentam menor desigualdade salarial devido a taxas mais altas de sindicalização. Os EUA poderiam se inspirar nesses países, já que até 98% dos trabalhadores austríacos são abrangidos por acordos de negociação coletiva, o que contribui para uma distribuição salarial mais igualitária.
- Altos salários dos maiores ganhadores — já discutimos como os profissionais mais bem remunerados ganham um valor impressionante, 18 vezes maior do que os trabalhadores típicos nos EUA, criando uma enorme disparidade na distribuição salarial.
A diferença entre produtividade e salários afeta significativamente tanto a economia quanto as políticas governamentais nos Estados Unidos. Do ponto de vista econômico, ela contribui para a desigualdade de renda, baixo poder de compra e declínio econômico. Do ponto de vista das políticas públicas, isso pode exigir salários mais altos e maiores direitos trabalhistas.
Reduzir a diferença entre salários e produtividade pode beneficiar tanto a estabilidade econômica de um país quanto proteções trabalhistas mais fortes.
Perguntas frequentes sobre a diferença entre produtividade e salários
Ainda tem interesse em aprender mais sobre o crescimento da produtividade e seu efeito sobre os salários? Então confira a seção a seguir.
O que significa a diferença de produtividade?
A diferença de produtividade é a diferença na produção por trabalhador ou por hora trabalhada entre empresas, indústrias ou países. Também pode se referir à divergência entre o valor que os trabalhadores criam (produtividade) e sua remuneração (salário).
Em um contexto global, a diferença de produtividade se refere à diferença de eficiência entre economias líderes (como os Estados Unidos) e as demais. Por exemplo, o crescimento da produtividade dos EUA tem superado consistentemente o da Europa nas últimas décadas.
Nos últimos 25 anos, a produtividade do trabalho nos EUA cresceu a uma taxa média de 1,7% ao ano, enquanto a União Européia registrou apenas 1%, segundo revela o European Employers’ Institute. A diferença já era grande em meados da década de 1990, quando a UE já estava 27% atrás dos EUA — e esta diferença só aumentou. Em 2024, a produtividade real do trabalho na UE estava 38% abaixo do nível dos EUA.
MFP e TFP são a mesma coisa?
MFP (produtividade multifatorial) e TFP (produtividade total dos fatores) medem basicamente a mesma coisa: a eficiência com que todos os insumos (trabalho e capital combinados) são utilizados na produção. Nesse sentido, os termos são frequentemente usados de forma intercambiável. No entanto, podem diferir na metodologia utilizada.
Como a MFP é calculada?
A MFP é calculada da seguinte forma:
Crescimento da MFP = Crescimento da produção - (Participação do trabalho x Crescimento do trabalho) - (Participação do capital x Crescimento do capital)
Essa fórmula mostra como a MFP capta ganhos de produtividade provenientes de inovação e melhorias de eficiência.
Quais são os 3 Ps do crescimento econômico?
Os 3 Ps do crescimento econômico são:
- População — o tamanho e a taxa de crescimento da força de trabalho.
- Participação — a porcentagem da população que está trabalhando ou procurando trabalho.
- Produtividade — produção por trabalhador ou por hora trabalhada.
Quanto a produtividade se compara aos salários na Europa?
A diferença entre produtividade e salários é um problema global que afeta trabalhadores em todo o mundo. De acordo com o relatório Labour Market and Wage Developments de 2025 da Comissão Européia, os salários reais na União Européia voltaram a crescer em 2024, com um aumento de 2,7%, mas ainda permanecem ligeiramente abaixo dos níveis anteriores à COVID-19 — cerca de 0,7%.
O mesmo relatório afirma que, em 2024, a produtividade do trabalho por hora na UE aumentou apenas 0,4%, enquanto o PIB per capita cresceu 0,7%. No entanto, o crescimento salarial foi limitado pelo baixo crescimento da produtividade, pela incerteza econômica e por mercados de trabalho menos apertados. Além disso, a situação varia significativamente entre os países membros da UE.
Maior produtividade leva a salários mais altos?
Em teoria, sim. Maior produtividade deveria levar a salários mais altos. No entanto, como vimos, a diferença entre produtividade e salários mostra que, desde 1979, a produtividade cresceu oito vezes mais rápido do que o salário médio dos trabalhadores, indicando que o aumento da produtividade não se traduz automaticamente em salários mais altos.
Quais são os 4 determinantes da produtividade?
Os 4 principais determinantes da produtividade são:
- Capital físico — as ferramentas, máquinas, tecnologia e infraestrutura que os trabalhadores utilizam para produzir bens e serviços (aprofundamento de capital).
- Capital humano — a educação, habilidades, treinamento e experiência da força de trabalho.
- Recursos naturais — a disponibilidade e a qualidade da terra, minerais, energia e outros recursos utilizados na produção.
- Conhecimento tecnológico — inovação, pesquisa e desenvolvimento, e melhorias nos métodos e processos de produção.
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Como os empregadores podem reduzir a diferença entre produtividade e salário dentro de sua organização?
Já estabelecemos que essa diferença surge de diversos fatores, incluindo políticas e regulamentações governamentais.
No âmbito organizacional, alguns empregadores estão tentando reduzir essa diferença. Veja o que alguns deles estão fazendo.
#1: Definir KPIs claros
KPIs (Indicadores-chave de desempenho) são métricas mensuráveis que mostram a eficácia dos funcionários em alcançar seus objetivos ao longo de um período definido.
Nem todas as empresas definiram KPIs explícitos em nível individual. Isso pode ser um grande problema na hora de determinar quem tem alto desempenho e quem não tem.
Portanto, o primeiro passo para os empregadores reduzirem a diferença entre produtividade e salários em suas empresas deve ser a criação de KPIs.
#2: Acompanhar e monitorar o desempenho
Além de definir KPIs, os empregadores devem monitorar ativamente o desempenho e a produtividade dos funcionários.
Para isso, as empresas podem usar aplicativos de controle de tempo, como o Clockify da CAKE.com, que rastreiam a produtividade dos funcionários durante o expediente.
Além de monitorar o desempenho, os aplicativos de controle de tempo ajudam a garantir que todos os funcionários sejam remunerados de forma justa.
#3: Oferecer salários competitivos
Ao medir o desempenho de forma eficaz, você também pode pagar salários competitivos.
Se um funcionário atinge (ou supera) as metas de KPIs estabelecidas, é justo que ele seja recompensado por suas contribuições e desempenho.
Por sua vez, o empregador garante uma remuneração justa, ao mesmo tempo que melhora a moral e a satisfação no trabalho.
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A maneira mais confiável de determinar a remuneração justa de um funcionário é monitorar suas horas de trabalho e as tarefas que ele executa.
Com o Clockify, você obtém visibilidade completa de como sua equipe utiliza o tempo - e do que ela realiza.
Veja como o Clockify ajuda a resolver a diferença entre produtividade e salários em sua organização:
- Acompanhe o tempo produtivo, não apenas a presença — os funcionários registram o tempo gasto em tarefas e projetos específicos com um único clique, enquanto os relatórios mostram quem está entregando resultado de forma consistente.
- Verifique cada hora faturável — registros detalhados de tempo mostram exatamente quando o trabalho aconteceu e o que foi feito. Você paga apenas pelo trabalho que pode verificar, evitando faturas infladas de terceirizados ou horas extras questionáveis.
- Automatize a gestão da folha de pagamento — o Clockify calcula automaticamente as horas trabalhadas, aplica os valores por hora, considera as horas extras e gera relatórios prontos para a folha de pagamento.
- Mantenha conformidade com as leis trabalhistas — o rastreamento automático de pausas, horas extras e horas trabalhadas garante conformidade sem necessidade de monitoramento manual constante.
- Identifique e recompense os melhores desempenhos — os relatórios de produtividade revelam quais funcionários agregam mais valor, fornecendo dados concretos para justificar aumentos e bônus para seus melhores talentos.
Quebre o ciclo da disparidade entre produtividade e salário e garanta remuneração justa em toda a sua organização.